segunda-feira, 11 de março de 2013

cap two


shh it's going to be ok

   O aeroporto estava lotado e assim que Isabelle Arnaud colocou o pé para fora do avião, sabia que seria impossível achar quem que fosse que sua mãe havia enviado para buscá-la. Por esse mesmo motivo, resolveu que não mataria ninguém se conhece um pouco a cidade que moraria por algum tempo. Colocou a mochila onde estavam suas roupas nas costas e nas mãos trazia duas malas vermelhas grandes que pareciam estar prestes a explodir. Foi até a saída e avistou uma garota extremamente parecida com ela... Os mesmos cabelos louros, o mesmo jeito de se portar e até o mesmo sorriso! As únicas coisas diferentes eram a cor dos olhos – Isabelle tinha olhos azuis extremamente claros e a outra jovem possuía um tom marrom esverdeado – e a idade. A mais velha das duas se aproximou da outra, que estava falando com alguém no celular, rindo. O desligou com o mesmo sorriso estampado no rosto.
  De repente, se virou para ela e as duas se olharam e a mais nova quebrou o silencio, correndo para abraçá-la. Incerta do que fazer, Isabelle congelou. Desde quando agia como se tivesse dezesseis anos?
– Você deve ser Isabelle! Meu nome é Madeline Jones e eu sou amiga da sua irmã. Ou meia irmã, mas que diferença faz? – ela jogou os ombros e a analisou. – Nossa! Você é idêntica a mãe da Amélia! Quero dizer, a Sra. Olive.
  Precisou de alguns segundos para absorver aquilo. Olive? Meia irmã? Suspirou, entendendo o que estava acontecendo. Sua mãe deveria ter casado com alguém com o sobrenome Olive e tido uma filha. Ótimo.
– Sou sim, Madeline, obrigada por ter vindo me ajudar. – disse na forma mais educada que pôde, exibindo seu sotaque francês. Era o que mais gostava em si mesma. – Minha mãe é adorável, sinceramente. Acho que se esqueceu de me avisar quem iria me buscar, por isso estou confusa...
   Sorriu para si mesma. Da onde tirado toda aquela gentileza?
Madeline Jones parecia acreditar, pois deu mais um grande sorriso e a puxou para o carro, enquanto tagarelava sobre algo que Isabelle simplesmente não conseguia prestar atenção. Algo sobre o clima... Ou seria o dia?
  Estava ocupada demais com pensamentos que não saiam de sua cabeça. A outra garota loira era muito parecida com ela para não ser da família. Oh, mãe, pensou.
 Foi então que algo que Madeline disse chamou sua atenção.
–... Sua mãe é realmente uma boa pessoa, deve ser difícil cuidar de dois filhos tão... Ah, você sabe, ela deve ter te contado tudo sobre eles! Amélia é realmente perfeita, juro. Mas Charles... Não sei se vai gostar dele. – falava, demonstrando estar preocupada.
Filhos?
– Claro, ela me contou. – mentiu, sentindo cada vez mais raiva da mulher. – Mas me conte sobre você.
 A loira de olhos esverdeados corou, surpresa com a questão.
– Eu? Bem... Eu estou no segundo ano do ginásio, junto com Amélia. Serei sua vizinha! Não tem nada muito interessante sobre mim... Conte-me de você. Todos estão curiosos...
– Não tenho nada de interessante, sinceramente, Madeline. Não tenho emprego, larguei a faculdade... – dei um riso baixo envergonhado, porém sincero.
– Mas e um namorado? – disse a outra, obviamente animada enquanto falava e conduzia Isabelle Arnaud até um carro preto, de algum modelo esportivo que Isabelle não reconhecia.
 Hesitou antes de responder, pondo o melhor sorriso em seu rosto.
– Não no momento... E você, Madeline? – falou o nome da loura mais nova com delicadeza.
 Madeline Jones sorriu, corando novamente.
– Eu tenho! O nome dele é Derek e ele é perfeito... Amélia não gosta dele, mas deve ser só mais uma bobeira dela. Ele é cinco anos mais velho que eu, mas o que eu posso fazer? – os olhos dela brilhavam enquanto falava e Isabelle sentiu pena dela.
– Quantos anos você tem? – perguntou, tentando mudar de assunto. Romance não era algo sobre o que queria conversar.
– Tenho dezesseis... – disse, baixando os olhos, mas logo os levantou quando as duas sentavam nos bancos de trás. Madeline tinha um motorista e ele estava carregando suas coisas. Carregando.
 Ótimo, pensou já irritada com o fato de sua mãe ser aparentemente milionária.
– Você é bem madura para sua idade.  – Isabelle falou, não querendo dizer que a garota parecia uma criança ingênua. E se estava certa, não queria começar com o pé esquerdo com sua possível irmã...
  O resto do caminho Madeline Jones tagarelou mais sobre qualquer bobagem que a outra simplesmente não conseguia prestar atenção. Nunca fora de ficar nervosa, de ligar para o que os outros pensavam, mas lá estava ela, se perguntando se ligariam pelo fato de estar revelando suas pernas compridas e que pareciam nunca ter visto o sol com um short curto e uma regata qualquer. Aparência não era algo com que não se preocupava. Simplesmente jogava seus cabelos louros para trás e passava alguma maquiagem, se precisava impressionar alguém. Mas era isso, apenas isso. Fechou os olhos, sentindo o vento bater em seu rosto e pela primeira vez desde que estava no hospital, se permitiu pensar sobre Frederick Bailey. Seu noivo. Ex. Realmente não importava, simplesmente não como antigamente... Às vezes se pegava lembrando-se de seus olhos chocolate e aquele sotaque britânico que a enlouquecia. O modo que a segurava, como se não tivesse a intenção de soltá-la. Tinha. Foi a última gota para ela. Isabelle não ligava para o resto, não ligava para o fato de que seu mundo estava desmoronando e nada fazia sentido. Ele era dela e ela era dele. Era. Sacudiu a cabeça, percebendo que estava indo para um buraco escuro demais para agüentar.

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